O Crescimento da economia igualmente distribuído
é a principal solução para o problema da pobreza no Brasil ?O crescimento da economia parece ser uma proposta tentadora para a erradicação da pobreza. Crescer aumenta a quantidade de recursos disponíveis e, se os resultados desse crescimento forem igualmente distribuídos a todos, a tendência é de que a pobreza seja reduzida à medida que a economia cresce. Cabe perguntar, portanto, quanto devemos crescer para erradicar a pobreza. Nas últimas duas décadas quase toda redução observada nos níveis de pobreza brasileiros deveu-se ao crescimento da economia. É por isso, talvez, que os níveis de pobreza ainda estejam tão elevados.
Uma aritmética simples mostra que o crescimento não pode ser o principal caminho para o combate à pobreza no Brasil: estima-se que pelo menos um sexto da população brasileira vive com menos de metade do valor da linha de pobreza. Para que essa população fosse elevada somente à linha de pobreza seria necessário um crescimento igualmente distribuído de 100% do produto total de economia. A taxas de 1% ao ano, isso significa quase setenta anos. A taxas mais generosas de 3% aa, mais de vinte anos. O Brasil precisaria repetir o milagre econômico da década de 1970 para que, sozinho, o crescimento fosse capaz de erradicar a pobreza em um tempo razoável. O termo "milagre" é bastante apropriado para indicar o quão difícil seria repetir o feito.
Uma aritmética como essa apenas ilustra o resultado convergente de diversos estudos rigorosos sobre a pobreza brasileira: o problema não está na insuficiência de recursos e sim em sua má distribuição. Desde pelo menos meados da década de 80 os cientistas sociais têm advertido que o Brasil não é um país pobre, no sentido de ser incapaz de erradicar a pobreza por seus próprios meios. Na verdade a incidência de pobreza brasileira pode ser considerada muito alta se o Brasil for comparado a países de PIB per capita semelhantes e isso se deve ao fato de o Brasil apresentar um dos piores níveis de desigualdade social do mundo. Há, aliás, excelentes simulações demonstrando que pequenas reduções nos níveis de desigualdade brasileiros teriam impactos expressivos sobre a pobreza.
Veja também: Crescimento, População e Desigualdade (PDF, 678Kb)